sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Laminação de asa de poliestireno

Essa semana eu coloquei em prática a laminação de uma asa de poliestireno.

Foi a seção central da asa do Catalina que estou construindo.

Ficou muito bom o resultado, melhor até do que eu esperava.

Apliquei o tecido de fibra de vidro usando a cola 3M 77.

Preparei a resina epóxy e apliquei com um cartão de plástico, cuidando para cobrir por igual toda a asa.

Depois coloquei o mylar sobre a asa, deixando mais ou menos 1cm a mais no bordo de fuga. A resina não gruda no mylar e como ele é muito liso, faz com que a asa fique bem lisa também. Mas o segredo está na pressão aplicada sobre a asa. Usei vácuo para isso.

Fiz uma bolsa de vácuo com plástico, lacrando os cantos com fita adesiva. A bomba de vácuo foi um motor de geladeira. O vácuo criado é bem forte.

Deixei umas 3 horas o motor ligado. Como a asa foi cortada com CNC, usei o contra-molde por cima da asa e coloquei mais uns pesos. Isso garante que a asa não se deforme durante a cura da resina.

Deixei a noite toda assim e na manhã seguinte tirei o mylar.

O resultado está nas fotos.

Agora é só cortar a sobra de resina que escorreu pelo bordo de fuga.



sábado, 28 de novembro de 2009

Primeiros passageiros

Hoje tive a honra de levar no avião os meus primeiros passeiros.

Fui para o Aeroclube de Blumenau e depois de um voo de uma hora com o instrutor Heck, ele me autorizou a levar a minha namorada Sara e o meu amigo Fabrício para um sobrevoo em Blumenau.

Eu já havia voado solo antes, mas é meio chato. O legal é poder levar acompanhante e saber da grande responsabilidade que é ter passageiros à bordo.

Os voos foram no Piper PA18.

O vídeo está aqui: http://www.youtube.com/watch?v=lMPmZm_6bp0

Seguem as fotos:



quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Alinhamento de fuselagem com laser

Olá pessoal!

Essa semana retomei um projeto que estava meses parado por falta de tempo e foco.

Na verdade, tenho vários projetos parados ou andando bem devagar. Para que isso não comece a prejudicar a minha sanidade, resolvi atacar e acabar.

O Catalina é um anfíbio dos anos 30, muito usado em todo o mundo. Até aqui no Brasil foi usado. Inclusive um submarino alemão foi vítima de um Catalina na segunda grande guerra.

A minha namorada sempre me presenteia com ferramentas. :-)

Faz alguns meses que ganhei um nível laser, mas até agora não o tinha usado.

Achei muito útil para fazer o alinhamento de grandes fuselagens como essa.

Agora o alinhamento ficará com qualidade profissional.

Fiz um estaleiro para prender bem o avião. Como ele está montado sobre uma prancha grande de madeira, posso guardar com o avião preso, sem ter que alinhar tudo cada vez que for trabalhar.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Molde pronto

Olá pessoal!

Fiquei um mês sem postar nada aqui, pois estava lidando com a construção do molde de fibra de vidro. A desmoldagem não deu certo. Infelizmente o gelcoat reagiu com a tintu duco e o plug e o molde foram destruídos.

Tive que refazer todo o plug. Dessa vez não apliquei tinta, apenas fundo PU. Depois de umas 5 camadas de cera desmoldante e PVA aplicado com pistola, finalmente deu certo. Consegui fazer as duas metades dos moldes.

Agora vou começar o trabalho de fazer uma fuselagem a partir do molde.

Abraços!

vejam as fotos:



sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Fuselagem de fibra de vidro - Primeira metade do molde

Depois de vários meses de pesquisa e procura por materiais de construção, consegui fazer o molde. Como esse mês estou de férias, pude me dedicar de forma mais concentrada.
Antes de explicar o que fiz, gostaria de dizer que dá muito trabalho. Demorei uns três dias para deixar tudo pronto.

Primeiro, vem a preparação do plug. É imprescindível deixá-lo bem liso. Por isso, o pintei novamente com uma última demão bem espessa. Daí lixei tudo com lixa d`água 600. A pintura ficará fosca, claro, mas depois ela foi polida com massa número 1 e depois número 2. Ficou muito bom. Mas para deixar o plug pronto, é preciso aplicar várias camadas de cera desmoldante. Eu usei a marca Embrawax. Muito boa e fácil de aplicar. À medida que se vai aplicando a cera, nota-se o brilho no plug.



Na minha opinião, é melhor aplicar a cera desmoldante antes de fixar o plug na madeira para fazer o molde. Não se corre o risco de deslocá-lo e a cera deixa o plug bem liso, o que ajuda a evitar riscos acidentais.

No caso desse modelo, o estabilizador horizontal passa pelo meio do estabilizador vertical. Então, é preciso fazer a preparação no plug para não ter que furar a fuselagem pronta. Criei então dois perfis com madeira e os colei com epóxi. O espaço entre o plug e os perfis foi preenchido com massa de modelar, dessas que se compra em papelarias.



O alisamento da massa foi feito com os dedos. Fica bem legal o acabamento. Deve-se tomar um cuidado especial com o alinhamento.



O molde deve ser feito em duas metades. Isso é feito usando-se chapas de MDF ou algo parecido. São cortadas duas metades e quando são unidas, o plug fica preso. Essa foi a parte mais trabalhosa. Primeiro, foi preciso apoiar as metades de MDF com ripas de madeira. Depois o plug foi apoiado sobre tacos de madeira. Para controlar melhor a altura, coloquei massa de modelar sobre os tacos. Isso não arranha o plug e pode-se pressionar a massa para regular melhor a altura.



Depois de tudo bem fixado, foi aplicada fita crepe ao redor do plug para tirar o excesso de gel coat. De novo se usa a massa de modelar para preencher os espaços entre o plug e o suporte de madeira. Todo o excesso de massa deve ser retirado.
Por último, mais uma camada de cera desmoldante ajuda a limpar bem o plug.
Já me disseram que só a cera é o suficiente, mas resolvi usar também o PVA, que é um líquido que é aplicado sobre o plug. Depois de seco, ele vira uma película bem fina. Apliquei com pistola para ficar bem uniforme e sequei com secador de cabelos.
Daí ficou tudo pronto para começar a construir a primeira metade do molde.

O gel coat foi aplicado com pincel. Deve-se tomar muito cuidado para não deixar partes muito finais. Em especial nos cantos, que sofrem naturalmente mais esforço quando for feita a desmoldagem.



Depois deve ser aplicada a manta de fibra de vidro e a resina. Usei poliéster, que é mais barata e fácil de encontrar. Acho interessante antes de aplicar a manta de fibra, colocar tecido de fibra de vidro pelo menos nos cantos vivos. Isso dará um reforço maior, evitando bolhas de ar. A manta não é tão maleável quanto o tecido.
Antes do gel coat ficar curado, se começa a aplicar camadas de resina e de tecido e/ou manta de fibra. Três camadas acho mais que o suficiente.




Deixei curando uma noite e hoje de manhã, depois de 13 horas, não resisti e tirei o MDF. Já ouvi dizer que o correto é deixar curar por 24 horas, mas com 13 horas já estava bem curado. Tomei todo cuidado para não quebrar nada. Foi bem fácil tirar o MDF. O PVA funcionou muito bem.



É muito importante não tirar o plug da metade do molde, pois ainda falta fazer a outra metade. Com o esmeril foram tiradas as rebarbas e foi tudo limpo. A massa de modelar foi tirada também e novamente passei mais uma camada de cera desmoldante.

Agora é só repetir toda a operação. A segunda metade do molde está curando agora e amanhã vou descobrir se deu tudo certo quando for retirar o plug. :-)

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Fuselagem de fibra de vidro - Plug pronto



Olá pessoal!

Fiquei um bom tempo sem trabalhar no plug do motoplanador que estou construindo, mas agora pintei o plug.

Eu pintei com tinta Duco. Algumas pessoas me falaram que fica melhor com tinta PU. de qualquer forma, acho que o acabamento está bom o suficiente para começar a fazer o molde.

Fiz o polimento da pintura com massa de polir número 2 e número 1.

A deriva foi feita com madeira balsa e bastante massa para fazer o acabamento da junção com a fuselagem.

Nos próximos dias vou começar a fazer o molde e postarei os resultados aqui.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Construindo rodas com raios - Pneu e raios

Nessa última parte do tutorial, mostrarei como fiz os raios e o pneu da roda.

Para fazer os raios, dessa vez usei linha de costura branca, daquelas bem fortes. É muito melhor fazer com essa linha do que com a linha de pesca, pois ela é muito mais maleável e não fica tentando se enrolar. A resistência é um pouco menor, mas como são 40 raios, a força fica bem dividida. É impressionante como o cubo da roda fica bem firme.

Fazer a fixação do aro e do cubo é crucial para fazer uma roda bem centrada e não ter muito trabalho. Fiz um gabarito bem simples, colocando um eixo para segurar o cubo e pedaços de chapa de balsa para apoiar o aro.



Um esquadro deve ser usado para deixar tudo bem feito. O aro tem sua camada externa feita de compensado. Como ele é bem mais forte que a balsa, colei com CA. Depois é só tirar o aro cortando uma fatia da balsa com o estilete. Daí é só lixar um pouco o aro e fica pronto.

Com esse gabarito simples, os furos para passar a linha ficaram bem acessíveis. Mas o único jeito que consegui manipular a linha foi com uma pinça. Um truque que funcionou foi molhar a ponta da linha com CA. Daí ela fica bem dura, não se desmancha e fica fácil de passar pelos furos.

Passei todos os aros primeiro de um lado. Depois virei o aro e fiz o outro lado. Com esse tipo de gabarito não tem como fazer os dois lados ao mesmo tempo. Depois de todos os raios colocados, colei tudo com CA.

Acho que não é necessário, mas antes de pintar a linha, apliquei dope para deixar as fibras mais fortes.

A pintura foi feita com um pincel e tinta Acrilex. Bem barata e fácil de encontrar.

O pneu foi feito com um anel de vedação. Paguei R$1,00 cada um. Eu tinha visto outro praticamente igual, só que era em milímetros e custava R$7,00. O vendedor me explicou que as medidas em polegadas ainda prevalecem nessa área e por isso que os anéis feitos com bitola em milímetros são bem mais caros.

O peso total dessa roda ficou em 10g. Acho que está bom. Eu não saberia como fazer mais leve usando o anel de vedação. Uma variação que já tentei foi comprar tiras de borracha redonda e mais leve e macia. Mas daí a emenda fica muito evidente. Foi assim que fiz na primeira versão da roda mostrada no primeiro post desse tutorial.

Abaixo a roda pronta.



Espero que esse tutorial tenha sido útil.

Por favor, deixe os seus comentários com outras técnicas que você conhece.

Obrigado!

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Construindo rodas com raios - Aro

Hoje mostrarei como faço os aros da rodas.

Esse aro tem 60mm de diâmetro, então é relativamente grande. Para dar mais resistência, decidi fazer com um sanduíche de balsa e compensado. Dependendo o tamanho, pode ser feito com camadas de balsa coladas com as fibras em direções opostas.

O compensado tem 1,5mm de espessura e a balsa 3mm. O compensado fica na parte externa e a balsa na interna. Assim fica bem mais fácil fazer a furação para os raios, pois a balsa é bem mais mole.



Cortei o compensado com a serra tico-tico e depois prendi os dois pedaços na Dremel e com a lixa deixei redondo. A balsa eu corto com estilete.

Fiz o sanduíche, colando as camadas com CA. Usei um parafuso com porca para prender no mandril. Daí torneei com lixa e lima redonda na parte interna, para fazer o encaixe do pneu.



Para cortar a parte interna do aro, uso estilete. Mas deve-se tomar cuidado, pois a rotação é bem alta. Com o estilete eu corto só o compensado, daí sobra a balsa, que corto fora da Dremel por segurança.



Depois vem a parte que acho a mais difícl, fazer a furação. Numa folha de papel tracei os raios com um transferidor e régua. Depois fiz as marcações na madeira com caneta. Uma dica importante é fazer os furos de dentro pra fora. Usei agulha pra furar e é difícil fazer o furo bem reto. Como a agulha vai sair pro lado de fora, que será coberto pelo pneu, não tem problema se o furo sair um pouco torto.



Um ponto muito importante é reforçar bem a balsa com CA para que a linha que formará os raios não a rasgue.

Por último, basta dar uma lixada em tudo e o resultado final fica bem legal

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Construindo rodas com raios - Cubo da roda

Andei pesquisando formas de fazer rodas que simulem as rodas usadas no aviões do início da aviação. Eram basicamente rodas de bicicletas.

Tentei várias formas de fazer e fracassei várias vezes, mas agora cheguei num resultado bem satisfatório.

A roda abaixo eu fiz para o Caudron G-III.



Ele tem 4 rodas como essa. Ela acabou ficando um pouco maior do que deveria, então como ainda faltam fazer 3, resolvi fazer 4 rodas variando um pouco as técnicas que usei. Vou publicar um tutorial aqui. Esse primeiro post é sobre como fazer o cubo da roda. Depois mostrarei como fazer o aro. Por último como juntar tudo e os pneus.

Primeiro é importante determinar quantos furos que o cubo terá para passar os raios. Nesse caso, a roda tem 40 raios, então serão feitos 20 furos no cubo.

O material para fazer o cubo pode ser bem diverso. É possível fazer com solda ou totalmente de madeira. Como não tenho prática com solda, resolvi fazer uma construção mista. A rodinha com os furos de metal e o cubo feito com um tubo de latão coberto com madeira, tudo colado com epoxy.

Comprei uma broca de 0,35mm de diâmetro para fazer os furos e numa loja de material para bijuterias, comprei uma plaquinha usada para fazer brincos.



Descobri que é muito difícil fazer os furos com essa broca, pois ela é tão fina que fica oscilando muito. Como é necessário precisão, tive que inventar uma forma de guiar a broca.

Então, numa placa de madeira, coloquei um alfinete na posição de cada furo. Daí derreti estanho sobre os alfinetes.



Tirei os alfinetes do estanho, lixei tudo e colei sobre a placa de metal com CA. Depois de fazer os furos, prendi as rodinhas na Dremel e as torneei.



Para fazer o cubo, cortei um pedaço de tubo bem fino de latão. Cortei um pedaço de vareta quadrada de madeira. Prendi numa furadeira e torneei com uma lixa. Fiz o furo no centro da madeira e coloquei o tubo dentro. O tubo é uns 2mm maior que a madeira em cada lado. Isso vai servir de guia para a roda por onde vão passar os raios.

Com epoxy juntei tudo e pintei com tinta Acrilex.

O resultado final é o mostrado abaixo.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Estais nos biplanos



Estive trabalhando nas asas do Caudron, agora na amarração dos estais.

Inicialmente, tentei com cabo de aço usado em pescaria. Já usei essa cabo anteriormente e fica muito bom. Mas no caso da Caudron, tensionar os cabos faria com que os montantes de balsa se quebrariam.

Então usei elástico preto. Muito leve e com um aspecto escala muito bom. Ele não força muito a estrutura mas a deixa bem firme.

As asas como mostradas nas fotos estão com apenas 110g.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Entelando com papel de seda

Estou construindo uma réplica em escala 10% do Caudron G-III, um avião de reconhecimento da Primeira Guerra Mundial, em 1914.

A construção pode ser vista aqui: http://www.e-voo.com/forum/viewtopic.php?t=45202

Nesse modelo usei uma técnica de entelagem nova pra mim, o uso de papel de seda.

No começo parecia ser complicado, mas achei bem mais fácil que a entelagem com termoretráteis. E o resultado fica muito bom e lembra bem a entelagem antiga. O peso é irrisório.

O que vou mostrar aqui é a asa inferior do Caudron, mostrada abaixo com a estrutura de balsa pronta:



Aplico o papel com cola branca diluída em água até ficar com um aspecto leitoso. O jeito mais fácil é aplicar com um pincel bem fino. Sugiro começar pela parte de baixo da asa, cortando o papel um pouco maior, o suficiente para poder puxar.

Onde passar a cola vai depender do formato do aerofólio. Nesse caso, o formato dele é bem côncavo e se passar a cola apenas no bordo de ataque e no bordo de fuga, o papel vai ficar esticado sem tocar o intradorso. Então, passei cola na parte de baixo de cada nervura. Cole o papel no bordo de ataque, cuidando para não deixar rugas e estique a partir de centro. É normal ficar um pouco frouxo. Não se preocupe, pois o papel será encolhido ainda.

No bordo de fuga, puxe o papel e dobre um pouco até que passe para a parte de cima. Você verá que o papel praticamente se funde com a cola e fica muito bem preso.

A figura abaixo mostra o resultado:



Depois vem a parte mais fácil, colocar o papel no extradorso. Agora uma dica importante: não passe cola nas nervuras, apenas no bordo de ataque e bordo de fuga. Isso deixará o papel solto para que ele se encolha melhor e evitará partes franzidas.

Cole o papel da mesma forma, deixando um dobra na parte de baixo da asa. O papel é tão fino que quase não se percebe a parte que fica sobrando.

Abaixo uma foto com a asa já toda entelada:



Agora vem uma parte muito importante, que é encolher o papel e deixá-lo mais resistente. Isso é feito com dope, um líquido que fica impregnado nas fibras do papel e o deixa mais resistente, além de fazê-lo se encolher. O papel é muito fino e sensível, mas é incrível como fica forte depois de ser aplicado o dope.

O dope pode ser aplicado com pincel, mas o melhor mesmo é um aerógrafo ou pistola, pois fica mais homogêneo e não deixa a marca do pincel. Melhor passar umas duas ou três demãos finais e não uma grossa. Enquanto molhado, o papel ficará bem frouxo e feio, mas isso vai durar pouco tempo. Dá para encolher o papel apenas com água também. Depois de pronto, o papel fica tão esticado quanto um tamborim. Então é importante não deixar cantos vivos na madeira para evitar que o papel se rasge.



O papel é encontrado em várias cores e dependendo o caso, nem precisa ser pintado. Eu pintei de bege, pois é a cor do avião que estou reproduzindo. Usei tinta Acrilex para tecido, que é a base de água. Demorei para pintar pois errei aplicando camadas muito grossas e com a tinta muito diluída. Percebi que o melhor é diluir a tinta mais ou menos na proporção 50/50 e passar várias demãos bem finas. Eu pintei à noite, o que foi um erro também, pois a água demora pra evaporar. Usei um secador de cabelos para agilizar o processo. O ideal mesmo é pintar ao sol.

Durante a pintura, o papel vai ficar frouxo de novo, mas depois volta ao normal. O secador de cabelo é bem útil para encolher o papel. Só não acho uma boa idéia deixar o papel totalmente encolhido logo após a pintura. Ainda vai ser gasto muito tempo com a construção e é melhor deixar o papel encolher naturalmente.

A foto abaixo mostra a asa superior e inferior logo após a pintura. Perceba que existem rugas ainda, mas que só serão tiradas posteriormente.



Bom pessoal, espero que esse post tenha sido útil. Tentei passar as principais dificuldades que encontrei. Não sei se o jeito que fiz é o mais correto, pois foi a primeira vez que usei papel de seda. Se alguém tiver algo a acrescentar ficarei muito grato.

O dope e o papel de seda, que não é o mesmo vendido em papelarias, encontrei apenas na Casa Aerobrás, em SP. Se alguém quiser enriquecer o post indicando outros lugares, desde já agradeço.

Abraços!

Boas construções e bons voos.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Meu primeiro voo solo



O assunto não é sobre construção de aeromodelos, mas é algo muito importante pra mim.

Ontem, 10/05/2009, consegui fazer o meu primeiro voo solo.

Foi a minha vigésima quinta hora de voo.

O instrutor foi o Cidral, instrutor chefe do Aeroclube de Blumenau. Nessas 25 horas, pude voar com vários instrutores. São eles: Cidral, Serginho, César, Loreto, Paveglio e Jonas. Sou grato a cada um deles pelos ensinamentos.

Ontem estava um dia muito bonito e o voo foi muito bom. Treinamos várias panes e daí eu percebi que o Cidral estava me testando para saber se eu estava pronto. Depois de uma hora, ele perguntou se eu estava bem e se queria fazer o voo sozinho.

Eu imaginei que ficaria muito nervoso na hora, mas permaneci sereno. Claro que dá um friozinho na barriga, mas foi bem tranquilo. A atmosfera estava tranquila e já era final de tarde, então a luz estava muito bonita.

Quando eu toquei o solo e avisei no rádio, quem estava na frequência ficou me dando os parabéns. Foi muito gratificante.

Depois veio a parte inevitável: o banho de óleo. :-)

Dá um trabalhão tirar o óleo. Tamei um longo banho me lavando com sabão em pó. Vários banhos depois e ainda sinto a pele meio oleosa.

Não foi fácil chegar até aqui, mas valeu cada hora de estudo e prática.

Agora é seguir o treinamento e me aperfeiçoar cada vez mais.

Obrigado a todos que me ensinaram e incentivaram a realizar esse sonho.

terça-feira, 5 de maio de 2009

24º FESBRAER


Olá pessoal!

Nesse feriadão do dia do trabalhador fui no 24º FESBRAER - Festival Brasileiro de Aeromodelismo, em Gaspar/SC. Vejam o site www.fesbraer.com.br.

O evento é muito legal e o local é muito lindo. Não tem local apenas para aviões e helicópteros, mas também uma lagoa enorme para quem pratica nautimodelismo. E para quem gosta de carros, tem uma pista on-road e outra off-road.

Foi a terceira edição do evento que fui. Dessa vez, levei o recém pronto XF-11 para voar lá.

Fiz dois voos lá e a pista é gigante. Só não gostei da organização dos voos.

O tempo foi muito usado pelos jatos e grandes acrobáticos. Daí era aberta uma janela para os outros aeromodelos e daí virava bagunça, pois todo mundo ia ao mesmo tempo voar.

Apesar de ter sentido falta de mais variedade e de ter visto poucos aeromodelos construídos à mão, o evento é muito bom e pude aprender algumas técnicas com o grande construtor Élcio (www.elciomodel.com) que levou algumas de suas maravilhosas construções.

Espero em 2010 ter uma nova construção para leval lá.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Fuselagem em fibra de vidro - Fazendo o plug



Essa é a primeira postagem de uma série que mostrará passo-a-passo como fazer uma fuselagem em fibra de vidro.

O modelo que farei é um motoplanador que chamei de Jaburú, projetado por mim. Eu fiz uma primeira versão em madeira e ficou muito bom.

O Jaburú terá a asa aparafusada à fuselagem. Terá uma versão mais acrobática e rápida, com uma asa de 130cm, e outra versão para aproveitar bem o planeio, com asa de 200cm.

A fuselagem tem 1 metro de comprimento. Será um modelo bem leve e fácil de transportar.

O primeiro passo para fazer a fuselagem de fibra é criar um molde formado por duas metades. O molde será confeccionado com manta de fibra de vidro e resina de poliéster. Explicarei em outro post como ele é feito.

Para gerar o molde, é necessário fazer o plug, que nada mais é que uma peça igual a que será extraída do molde.

Existem várias formas de se fazer o plug. Já vi gente fazendo com isopor e depois cobrindo com resina epóxi e tecido de fibra de vidro. Confesso que fiz um primeiro plug desse jeito e não gostei do resultado. Então, fiz do jeito que eu já sabia, usando madeira balsa. O processo não é complicado, só exige muito tempo e paciência. Mas a qualidade fica muito boa.

Desenhei no CAD a vista lateral e superior da fuselagem. Então comecei a traçar as cavernas ao longo da fuselagem.

Tracei o eixo longitudinal do avião e fiz a marcação nas cavernas. Imprimi numa impressora comum, recortei e colei na madeira. Daí foi só cortar com o estilete e dar o formato com lixa.

A parte principal nesse trabalho é conseguir o alinhamento. Peguei um tubo de aço de 18mm de diâmetro, desses usados para trilho de cortinas. Cortei no tamanho correto e furei as cavernas fazendo com que elas se encaixassem no tubo de forma bem justa. Colei as cavernas no tubo na posição correta e daí comecei a cobrir com tiras de madeira, de cerca de 5mm de largura. Esse processo é o mesmo usado em barcos e é chamado strip planking.

Lixei tudo durante horas para deixar no formato que eu queria. Para dar resistência ao plug, apliquei uma camada de tecido de fibra de vidro de 75g/m2 com resina de poliéster. Depois de bem seco, um dia depois, lixei tudo de novo e daí comecei o processo de acabamento.

Essa é a fase que exige mais paciência, pois você tem que aplicar fundo com a pistola, lixar, passar massa rápida nas imperfeições, lixar, mais fundo, etc. Até que se consiga um acabamento perfeito.

Depois cortei um pedaço de cartolina, no formato que eu queria para o canopy. Tracei sobre o plug e cortei com o disco de corte da Dremel.

Ainda falta eu fazer a deriva de madeira e colar sobre o tubo. Depois dar o formato com massa e lixa e repetir o processo de acabamento até que não apareça mais a emenda. Deixei a deriva por último pois fica mais fácil para lixar, já que não se corre o risco de quebrá-la.

Farei isso nos próximos dias e depois atualizo aqui.

Algumas fotos do plug:



Simulando rebites em alto relevo



Na construção do Hughes XF-11, fiz as naceles com garrafa PET e quis dar um acabamento melhor, simulando os rebites.

Uma técnica bem simples de ser aplicada para os casos onde o modelo é pintado e não se deseja um alto grau de realismo é usar cola PVA (cola branca para madeira).

A aplicação é feita com uma seringa com agulha bem fina.

Antes de criar os rebites, aplique uma camada de primer.

O ideal é traçar com lápis as linhas que simulam as chapas e os rebites de forma equidistante usando uma régua. Depois, risque o primer para simular o baixo relevo da divisão entre as chapas.

É bom treinar um pouco numa folha de papel para se obter prática e o ritmo correto para deixar os pontos de cola do mesmo tamanho.

A cola seca bem rápido e depois é só pintar.

Só tome cuidado para não aplicar muita cola, pois ela se espalhará e o rebite ficará muito grande e pouco realista.

O peso agregado é irrisório e o aspecto final fica bem legal.


Começando o blog

Olá!

Meu nome é Charles Pereira e resolvi criar esse blog para publicar o andamento das construções dos meus aeromodelos.

Sou aeromodelista desde novembro de 2006. Gosto mais de construir que pilotar aeromodelos. Mas pilotar aquilo que construí é o melhor.

Nesses anos aprendi muitas técnicas de construção e pretendo nesse espaço publicar o passo-a-passo de cada técnica que eu estiver usando.

Agradeço a sua participação e espero contar com a ajuda dos colegas para tornar esse espaço útil para quem gosta de criar aeromodelos ou quer aprender a fazer isso.