segunda-feira, 25 de maio de 2009

Entelando com papel de seda

Estou construindo uma réplica em escala 10% do Caudron G-III, um avião de reconhecimento da Primeira Guerra Mundial, em 1914.

A construção pode ser vista aqui: http://www.e-voo.com/forum/viewtopic.php?t=45202

Nesse modelo usei uma técnica de entelagem nova pra mim, o uso de papel de seda.

No começo parecia ser complicado, mas achei bem mais fácil que a entelagem com termoretráteis. E o resultado fica muito bom e lembra bem a entelagem antiga. O peso é irrisório.

O que vou mostrar aqui é a asa inferior do Caudron, mostrada abaixo com a estrutura de balsa pronta:



Aplico o papel com cola branca diluída em água até ficar com um aspecto leitoso. O jeito mais fácil é aplicar com um pincel bem fino. Sugiro começar pela parte de baixo da asa, cortando o papel um pouco maior, o suficiente para poder puxar.

Onde passar a cola vai depender do formato do aerofólio. Nesse caso, o formato dele é bem côncavo e se passar a cola apenas no bordo de ataque e no bordo de fuga, o papel vai ficar esticado sem tocar o intradorso. Então, passei cola na parte de baixo de cada nervura. Cole o papel no bordo de ataque, cuidando para não deixar rugas e estique a partir de centro. É normal ficar um pouco frouxo. Não se preocupe, pois o papel será encolhido ainda.

No bordo de fuga, puxe o papel e dobre um pouco até que passe para a parte de cima. Você verá que o papel praticamente se funde com a cola e fica muito bem preso.

A figura abaixo mostra o resultado:



Depois vem a parte mais fácil, colocar o papel no extradorso. Agora uma dica importante: não passe cola nas nervuras, apenas no bordo de ataque e bordo de fuga. Isso deixará o papel solto para que ele se encolha melhor e evitará partes franzidas.

Cole o papel da mesma forma, deixando um dobra na parte de baixo da asa. O papel é tão fino que quase não se percebe a parte que fica sobrando.

Abaixo uma foto com a asa já toda entelada:



Agora vem uma parte muito importante, que é encolher o papel e deixá-lo mais resistente. Isso é feito com dope, um líquido que fica impregnado nas fibras do papel e o deixa mais resistente, além de fazê-lo se encolher. O papel é muito fino e sensível, mas é incrível como fica forte depois de ser aplicado o dope.

O dope pode ser aplicado com pincel, mas o melhor mesmo é um aerógrafo ou pistola, pois fica mais homogêneo e não deixa a marca do pincel. Melhor passar umas duas ou três demãos finais e não uma grossa. Enquanto molhado, o papel ficará bem frouxo e feio, mas isso vai durar pouco tempo. Dá para encolher o papel apenas com água também. Depois de pronto, o papel fica tão esticado quanto um tamborim. Então é importante não deixar cantos vivos na madeira para evitar que o papel se rasge.



O papel é encontrado em várias cores e dependendo o caso, nem precisa ser pintado. Eu pintei de bege, pois é a cor do avião que estou reproduzindo. Usei tinta Acrilex para tecido, que é a base de água. Demorei para pintar pois errei aplicando camadas muito grossas e com a tinta muito diluída. Percebi que o melhor é diluir a tinta mais ou menos na proporção 50/50 e passar várias demãos bem finas. Eu pintei à noite, o que foi um erro também, pois a água demora pra evaporar. Usei um secador de cabelos para agilizar o processo. O ideal mesmo é pintar ao sol.

Durante a pintura, o papel vai ficar frouxo de novo, mas depois volta ao normal. O secador de cabelo é bem útil para encolher o papel. Só não acho uma boa idéia deixar o papel totalmente encolhido logo após a pintura. Ainda vai ser gasto muito tempo com a construção e é melhor deixar o papel encolher naturalmente.

A foto abaixo mostra a asa superior e inferior logo após a pintura. Perceba que existem rugas ainda, mas que só serão tiradas posteriormente.



Bom pessoal, espero que esse post tenha sido útil. Tentei passar as principais dificuldades que encontrei. Não sei se o jeito que fiz é o mais correto, pois foi a primeira vez que usei papel de seda. Se alguém tiver algo a acrescentar ficarei muito grato.

O dope e o papel de seda, que não é o mesmo vendido em papelarias, encontrei apenas na Casa Aerobrás, em SP. Se alguém quiser enriquecer o post indicando outros lugares, desde já agradeço.

Abraços!

Boas construções e bons voos.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Meu primeiro voo solo



O assunto não é sobre construção de aeromodelos, mas é algo muito importante pra mim.

Ontem, 10/05/2009, consegui fazer o meu primeiro voo solo.

Foi a minha vigésima quinta hora de voo.

O instrutor foi o Cidral, instrutor chefe do Aeroclube de Blumenau. Nessas 25 horas, pude voar com vários instrutores. São eles: Cidral, Serginho, César, Loreto, Paveglio e Jonas. Sou grato a cada um deles pelos ensinamentos.

Ontem estava um dia muito bonito e o voo foi muito bom. Treinamos várias panes e daí eu percebi que o Cidral estava me testando para saber se eu estava pronto. Depois de uma hora, ele perguntou se eu estava bem e se queria fazer o voo sozinho.

Eu imaginei que ficaria muito nervoso na hora, mas permaneci sereno. Claro que dá um friozinho na barriga, mas foi bem tranquilo. A atmosfera estava tranquila e já era final de tarde, então a luz estava muito bonita.

Quando eu toquei o solo e avisei no rádio, quem estava na frequência ficou me dando os parabéns. Foi muito gratificante.

Depois veio a parte inevitável: o banho de óleo. :-)

Dá um trabalhão tirar o óleo. Tamei um longo banho me lavando com sabão em pó. Vários banhos depois e ainda sinto a pele meio oleosa.

Não foi fácil chegar até aqui, mas valeu cada hora de estudo e prática.

Agora é seguir o treinamento e me aperfeiçoar cada vez mais.

Obrigado a todos que me ensinaram e incentivaram a realizar esse sonho.

terça-feira, 5 de maio de 2009

24º FESBRAER


Olá pessoal!

Nesse feriadão do dia do trabalhador fui no 24º FESBRAER - Festival Brasileiro de Aeromodelismo, em Gaspar/SC. Vejam o site www.fesbraer.com.br.

O evento é muito legal e o local é muito lindo. Não tem local apenas para aviões e helicópteros, mas também uma lagoa enorme para quem pratica nautimodelismo. E para quem gosta de carros, tem uma pista on-road e outra off-road.

Foi a terceira edição do evento que fui. Dessa vez, levei o recém pronto XF-11 para voar lá.

Fiz dois voos lá e a pista é gigante. Só não gostei da organização dos voos.

O tempo foi muito usado pelos jatos e grandes acrobáticos. Daí era aberta uma janela para os outros aeromodelos e daí virava bagunça, pois todo mundo ia ao mesmo tempo voar.

Apesar de ter sentido falta de mais variedade e de ter visto poucos aeromodelos construídos à mão, o evento é muito bom e pude aprender algumas técnicas com o grande construtor Élcio (www.elciomodel.com) que levou algumas de suas maravilhosas construções.

Espero em 2010 ter uma nova construção para leval lá.